A Biblioteca acolheu recentemente a atividade Toda a Noite o Sol Brilhou, um encontro com Zeferino Mota e os alunos do Ensino Recorrente da EBSAH, dedicado à descoberta do Porto Romântico e das marcas que este movimento deixou na cidade, na cultura e na forma como ainda hoje interpretamos o mundo.
Esta iniciativa, promovida em parceria pela equipa das BE do AEAH e pelos docentes do Ensino Recorrente, contou ainda com a colaboração da Biblioteca Errante dos Autores Portuenses, que apresentou uma exposição dedicada às obras e aos autores mais relevantes deste período literário, patente ao público no final da sessão.
Além dos alunos e professores participantes, a atividade contou também com a presença do diretor do AEAH e de dois elementos da equipa de inspeção provenientes de Navarra, que se encontravam no Agrupamento para observar as dinâmicas do ensino de adultos.
A sessão iniciou-se com uma reflexão sobre a importância da memória literária enquanto património coletivo, construído e preservado ao longo das gerações através da leitura, da transmissão de saberes e do cuidado com os livros e com as histórias. Foi igualmente destacado o papel da literatura na preservação de uma dimensão muitas vezes invisível da cidade: a sua identidade cultural e afetiva.
Ao longo da conversa, os participantes revisitaram o processo de construção de uma verdadeira cidade romântica. Foi durante o período do Romantismo que o Porto conheceu um significativo desenvolvimento cultural, marcado pela criação e consolidação de escolas, bibliotecas, museus, teatros, associações artísticas, tipografias, editoras e livrarias. Uma cidade rude e comercial começou lentamente a tornar-se também cidade de poesia, romance, música e imaginação histórica.
A reflexão estendeu-se ainda à chamada “doença do amor”, uma das imagens mais emblemáticas do imaginário romântico, evocada através das palavras de Ricardo Jorge: “naquele mear do século, o Romantismo graça pandemicamente (...). Esta referência permitiu abordar algumas das sensibilidades, emoções e representações características da época, que continuam a marcar o nosso imaginário coletivo.
A atividade proporcionou um momento de partilha, descoberta e valorização do património literário e cultural da cidade, convidando os participantes a redescobrir um Porto onde, metaforicamente, toda a noite o sol brilhou.




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